Relatório de Preços – Preços das Casas em Portugal: de €67 Mil a €1,35 Milhões, a desigualdade entre concelhos está a disparar

O mercado imobiliário português está cada vez mais dividido. Hoje, comprar casa em Portugal pode custar apenas €67 mil… ou ultrapassar €1,35 milhões, dependendo do concelho escolhido.
Os dados mais recentes do Imovirtual mostram um cenário cada vez menos uniforme: enquanto algumas regiões continuam a acelerar nos preços, outras começam a estabilizar e, em certos casos, até a corrigir.
Mais do que números, esta diferença revela uma realidade cada vez mais evidente: a localização tornou-se um dos principais fatores de acesso à habitação em Portugal.
Arrendar em Portugal já custa €1.335 por mês
O mercado de arrendamento continua sob forte pressão. Em abril de 2026, a renda média em Portugal atingiu os €1.335 mensais, refletindo uma subida consistente face aos últimos anos.
Mas a evolução não está a acontecer da mesma forma em todo o país.
Ilhas lideram as subidas mais agressivas
As regiões insulares destacam-se como os mercados mais pressionados do momento.
A renda média nas Ilhas já chega aos €1.200, após um crescimento anual superior a 33%.
O caso mais extremo é o da Ilha Terceira, onde os preços saltaram de €400 para €1.100 em apenas um ano, uma valorização de 175%.
Já São Miguel mantém a tendência de subida, atingindo os €1.200 mensais.
Na Madeira, o mercado apresenta maior estabilidade, embora os valores continuem elevados, com rendas médias nos €1.550.
Norte começa a mostrar sinais de estabilização
Depois de vários ciclos de crescimento acelerado, o Norte dá os primeiros sinais de desaceleração.
Os preços médios de arrendamento fixam-se agora nos €900, com uma ligeira correção mensal.
Ainda assim, alguns distritos continuam a valorizar:
- Braga: €990 (+11,2% anual)
- Vila Real: €900 (+12,5%)
- Porto: mantém-se entre os mercados mais sólidos do país
Por outro lado, Viana do Castelo e Viseu começam a revelar maior volatilidade, indicando um mercado menos previsível.
Lisboa continua cara, mas já não cresce ao mesmo ritmo
Lisboa mantém-se como o mercado de arrendamento mais caro do continente, com rendas médias de €1.800.
Apesar disso, os dados sugerem um possível abrandamento no ritmo de valorização.
No segmento de compra, por exemplo, o preço médio na capital desceu de €650 mil para €621 mil face ao ano anterior.
Não significa uma queda estrutural. Mas mostra que alguns mercados premium podem estar a entrar numa fase de ajustamento depois de anos de forte pressão.
Comprar casa em Portugal custa, em média, €435 mil
No mercado de compra, o preço médio nacional atingiu os €435.000.
Mais uma vez, as diferenças regionais são profundas.
Os concelhos mais caros para comprar casa
O ranking dos mercados mais caros confirma a concentração de preços elevados em zonas costeiras, turísticas e premium.
Os 10 concelhos mais caros do país são:
- Cascais — €1.350.000
- Grândola — €1.300.000
- Calheta (Madeira) — €920.000
- Loulé — €799.000
- Castro Marim — €780.000
- São Brás de Alportel — €750.000
- Oeiras — €720.000
- Lisboa — €703.000
- Faro — €654.500
- Funchal — €650.000
O padrão é claro: procura elevada, oferta limitada e forte presença de compradores nacionais e internacionais continuam a alimentar a valorização nestes mercados.
Mercados secundários estão a acelerar
Um dos sinais mais relevantes do relatório é o crescimento de concelhos tradicionalmente secundários.
São Brás de Alportel, por exemplo, valorizou 52% num ano, passando de €495 mil para €750 mil.
Isto sugere uma mudança importante no comportamento do mercado:
compradores começam a procurar alternativas fora dos centros mais saturados, pressionando novos territórios.
Onde ainda é possível comprar casa abaixo de €75 mil
No extremo oposto, continuam a existir concelhos onde comprar casa custa menos de €75 mil.
Os mais acessíveis são:
- Vimioso — €67.000
- Almeida — €69.000
- Nisa — €69.500
- Proença-a-Nova — €70.000
- Gouveia — €70.000
- Mação — €72.500
- Penedono — €72.500
- Miranda do Douro — €72.500
- Alfândega da Fé — €75.000
- Chamusca — €75.000
Mas estes valores refletem mais do que acessibilidade.
Na maioria destes mercados existe:
- menor procura
- menos liquidez
- menor pressão imobiliária
- crescimento económico mais lento
Ou seja: preços baixos nem sempre significam maior oportunidade de investimento.
Arrendamento: Cascais lidera com rendas acima de €2.500
No arrendamento, a diferença entre concelhos continua igualmente acentuada.
Cascais volta a liderar, com rendas médias de €2.560 por mês.
Segue-se:
- Lisboa — €1.850
- Oeiras — €1.700
- Lagos — €1.650
- Funchal — €1.625
- Faro — €1.539
- Albufeira — €1.514
A forte pressão turística e a escassez de oferta continuam a ser os principais motores destes valores.
Mesmo os mercados “mais baratos” já pressionam famílias
Os concelhos com rendas mais acessíveis continuam acima dos €700 mensais.
Entre os mais baratos estão:
- Coimbra — €740
- Guimarães — €848
- Leiria — €850
- Beja — €855
- Santarém — €950
Isto confirma uma tendência estrutural:
o custo da habitação está a subir praticamente em todo o território nacional — mesmo fora dos grandes centros urbanos.
O mercado imobiliário português está a fragmentar-se
Os dados apontam para uma transformação importante no setor imobiliário em Portugal.
Durante anos, o mercado moveu-se com tendências relativamente homogéneas. Hoje, isso deixou de acontecer.
Cada concelho começa a comportar-se como um micromercado próprio, influenciado por fatores locais como:
- pressão da procura
- escassez de oferta
- turismo
- investimento estrangeiro
- mobilidade interna
- acessibilidade
- desenvolvimento económico regional
O resultado é um mercado mais desigual, mais fragmentado e muito mais dependente da localização.
A ideia de que existe “um mercado imobiliário português” está a perder força.
O que existe hoje são dezenas de realidades diferentes a acontecer ao mesmo tempo.
Enquanto alguns concelhos continuam a disparar nos preços, outros entram em estabilização — e alguns permanecem praticamente estagnados.
Para compradores, investidores e famílias, isto significa uma coisa:
entender a dinâmica local tornou-se mais importante do que seguir médias nacionais.
Porque no imobiliário português atual, o código postal pesa cada vez mais no preço final.





