Porto: Obra do Antigo Matadouro arranca em setembro de 2021

09 novembro 2020

De imovirtual

Porto: Obra do Antigo Matadouro arranca em setembro de 2021

Reativar e reinventar o espaço do Antigo Matadouro Industrial do Porto como “uma fonte económica e de desenvolvimento para a zona Oriental da cidade” é a proposta do projeto vencedor do concurso para a reabilitação daquele edifício histórico do Porto. O início das obras deste projeto entregue à construtora portuguesa Mota-Engil foi finalmente desbloqueado pelo Tribunal de Contas, após meses de avaliação. Conseguido o visto, o presidente da Câmara do Porto espera agora que a obra avance pois ela é “talvez”, nas palavras de Rui Moreira, “a mais importante da década para a cidade”. 

 

“Reativar, reinventar”

O projeto vencedor foi de um consórcio liderado pela empresa construtora Mota-Engil, com o ateliê do arquiteto japonês Kengo Kuma e o ateliê português OODA. O projeto visa “reativar, reinventar, este espaço”, aproveitando a reformulação do espaço envolvente. Irá introduzir um edifício-ponte por cima da VCI, que permita uma ligação ao metro mas que dê também visibilidade ao espaço industrial do Antigo Matadouro do Porto, que fica numa cota inferior. 

 

Ligação ao metro

A ligação mais rápida e simples ao metro irá permitir uma oportunidade de acesso não apenas a que vai ao Matadouro, e às valências que virão a ser lá instaladas, como também quem habita nas imediações. Atualmente, aquela zona da cidade é apenas servida de autocarros e está dividida pela VCI. Com a ponte há uma vertente de uniformização e de inserção na malha urbana. 

Segundo explica o projeto vencedor da obra de reabilitação do Antigo Matadouro Industrial do Porto, o acesso será feito a nascente pelo tal edifício-ponte -- que serve ao mesmo tempo de jardim e de miradouro para todo o projeto e a cidade – e a sul por duas praças que abrem para a Rua São Roque da Lameira, criando uma zona de interação com a comunidade local e transeuntes.  

De acordo com o projeto vencedor, a passagem aérea é o ex-libris, “enquanto jardim e miradouro” e “o remate mais visível de uma abordagem que cria uma nova identidade marcante, uma imagem única e irrepetível, mas que promove uma narrativa de unidade entre a memória do que existia com a ambição do que o futuro irá oferecer”. 

 

Zona Oriental renovada

Este novo espaço conciliador da cidade numa área que pode ser considerada atualmente de “vazio urbano” poderá trazer uma nova dinâmica. Desde há décadas que a zona Oriental da cidade carece de âncoras que façam os moradores verem o seu espaço público recuperado e os investidores uma zona que venha a ganhar vida. “Este é o momento do investimento público”, sublinhou o presidente da autarquia, quando soube do visto do Tribunal de Contas. 

O concurso para a "Reconversão e Exploração do Antigo Matadouro Industrial do Porto" tinha como objetivo transformar o edifício, abandonado há cerca de 20 anos, num equipamento âncora baseado no convívio social, com espaços empresariais e de cultura, mantendo a memória da arquitetura da edificação de 1910. Está previsto para o espaço a instalação de empresas, galerias de arte, museus, auditórios e espaços para acolher projetos de coesão social. 

A Mota-Engil fica obrigada a cumprir o programa delineado pela autarquia, nos próximos 30 anos pelo valor de 40 milhões de euros, através da empresa municipal Go Porto. A câmara ocupará uma parte do antigo Matadouro para a realização de projetos de dinamização cultural, de envolvimento da comunidade e afetos à coesão social. No final dos 30 anos, o equipamento regressa à esfera municipal. 

O grande conjunto do Antigo Matadouro Industrial do Porto é composto por pavilhões que ocupam uma área de 29000 m2. O edifício principal, composto por várias naves agrupadas perpendicularmente a um corpo central, é um espaço de grande monumentalidade e tem uma espacialidade basilical, possibilitada pelo uso do betão armado. 

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Ultima actualização: 09 novembro 2020

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