Mercado imobiliário em Portugal: onde é mais caro e mais barato comprar casa?

O Barómetro dos Concelhos do Imovirtual revela diferenças superiores a 1,25 milhões de euros entre os mercados mais caros e mais acessíveis do país.
O mercado imobiliário português continua a mostrar realidades muito diferentes consoante a região. Enquanto alguns concelhos atingem valores superiores a um milhão de euros na compra de casa, outros mantêm preços médios abaixo dos 100 mil euros.
Os dados do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, relativo a junho, revelam um mercado cada vez mais diversificado, onde convivem zonas premium, destinos turísticos com forte procura e territórios do interior que continuam a apresentar valores mais acessíveis — embora vários deles estejam também a valorizar.
Cascais mantém-se como o concelho mais caro para comprar casa
No mercado de compra, Cascais ocupa a primeira posição, com um preço médio de 1,3 milhões de euros.
No outro extremo está Vila Velha de Ródão, onde o valor médio de compra se situa nos 49 mil euros. Isto significa que uma casa em Cascais custa, em média, cerca de 26,5 vezes mais do que neste concelho do distrito de Castelo Branco.
Depois de Cascais, entre os concelhos com preços médios mais elevados encontram-se:
- Grândola: 1,1 milhões de euros;
- Calheta: 920 mil euros;
- Castro Marim: 860 mil euros;
- Loulé: 779 mil euros;
- Oeiras: 750 mil euros;
- São Brás de Alportel: 750 mil euros;
- Lisboa: 720 mil euros;
- Faro: 675 mil euros;
- Sines: 670 mil euros.
Entre estes mercados, Castro Marim destaca-se pela evolução dos preços, com uma valorização mensal de 11,7% e um crescimento de 22,9% face ao mesmo período do ano anterior.
Loulé apresenta igualmente uma subida anual relevante, de 16,2%.
Onde é mais acessível comprar casa em Portugal?
Apesar da subida generalizada dos preços da habitação, continuam a existir concelhos onde os valores médios são consideravelmente inferiores aos registados nos principais centros urbanos e zonas turísticas.
Além de Vila Velha de Ródão, destacam-se:
- Pampilhosa da Serra: 56.250 euros;
- Vinhais: 57 mil euros;
- Proença-a-Nova: 67.500 euros;
- Castelo Branco: 83 mil euros;
- Guarda: 155 mil euros;
- Bragança: 160 mil euros;
- Portalegre: 171 mil euros;
- Beja: 210 mil euros;
- Elvas: 248.500 euros.
Mas preços mais baixos não significam necessariamente mercados estagnados.
Alguns destes concelhos apresentam, precisamente, das valorizações anuais mais expressivas. Portalegre registou uma subida de 32,6%, Beja avançou 26,3% e Castelo Branco valorizou 18,6%.
Os números mostram que a valorização do imobiliário está cada vez menos limitada ao litoral e às grandes cidades.
Arrendamento: diferença entre concelhos chega aos 2.075 euros por mês
Os contrastes também são evidentes para quem procura uma casa para arrendar.
Cascais volta a liderar o mercado, com uma renda média mensal de 2.500 euros.
Já em Elvas, o valor médio situa-se nos 425 euros, o mais baixo entre os concelhos analisados. A diferença entre os dois mercados ultrapassa, assim, os 2.000 euros por mês.
Entre os concelhos com rendas médias mais elevadas encontram-se:
- Cascais: 2.500 euros;
- Alcácer do Sal: 2.000 euros;
- Sines: 1.875 euros;
- Lisboa: 1.850 euros;
- Faro: 1.800 euros;
- Lagos: 1.800 euros;
- Oeiras: 1.700 euros;
- Montijo: 1.650 euros;
- Loulé: 1.630 euros;
- Funchal: 1.600 euros.
Um dos casos que mais se destaca é Alcácer do Sal, onde as rendas registaram uma subida anual de 122,2%.
Quais são os concelhos mais acessíveis para arrendar?
Para quem procura valores mais baixos no mercado de arrendamento, o interior continua a oferecer algumas das opções mais acessíveis.
Depois de Elvas, surgem:
- Guarda: 500 euros;
- Pombal: 625 euros;
- Bragança: 650 euros;
- Castelo Branco: 675 euros;
- Coimbra: 750 euros;
- Viseu: 750 euros;
- Vila Real: 763 euros;
- Beja: 790 euros;
- Figueira da Foz: 815 euros.
Ainda assim, mesmo nestas zonas, os preços estão a subir.
Em termos anuais, Bragança registou um aumento de 14%, Castelo Branco de 12,5%, Vila Real de 10,5%, Beja de 17% e Figueira da Foz de 8,7%.
Estes dados indicam que a pressão sobre as rendas já não é exclusiva das áreas metropolitanas ou dos mercados tradicionalmente mais procurados.
Um mercado imobiliário cada vez mais fragmentado
As diferenças entre concelhos mostram como falar num único mercado imobiliário português é cada vez mais difícil.
Há zonas onde a elevada procura, o turismo, a localização e a escassez de oferta continuam a sustentar preços elevados. Ao mesmo tempo, outros territórios ganham relevância, seja pelos valores mais acessíveis, seja pelo crescimento da procura e consequente valorização.
“Portugal tem hoje um mercado imobiliário muito mais fragmentado do que há alguns anos. Continuamos a assistir a uma forte pressão nos mercados premium, mas vemos também vários territórios a ganhar protagonismo e a valorizar de forma consistente. Esta realidade demonstra que a procura já não se concentra apenas nos grandes centros urbanos e que o mercado está a evoluir de forma muito diferente consoante a região. Para quem procura casa, estas diferenças representam desafios, mas também oportunidades que importa acompanhar de perto”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
O que estes dados significam para quem procura casa?
O Barómetro dos Concelhos mostra sobretudo que a localização continua a ter um peso decisivo no orçamento necessário para comprar ou arrendar casa em Portugal.
Enquanto o litoral, as áreas metropolitanas e alguns destinos turísticos concentram os valores mais elevados, vários concelhos do interior continuam a oferecer preços de entrada mais baixos.
Ao mesmo tempo, a valorização registada em mercados tradicionalmente mais acessíveis demonstra que o mapa da procura está a mudar.
Por isso, para quem está à procura da próxima casa, pode fazer sentido alargar a pesquisa a diferentes concelhos e comparar não apenas o preço atual, mas também a evolução do mercado em cada região.
No Imovirtual, podes explorar imóveis para comprar ou arrendar em diferentes zonas do país e comparar as opções disponíveis de acordo com o teu orçamento e as tuas prioridades.
Créditos
Conteúdo adaptado a partir de um artigo publicado na Executive Digest, com base em dados do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual.





