
As alterações fiscais previstas no Orçamento de Estado de 2026 prometem ter impacto direto no rendimento disponível, na atividade empresarial e nas decisões de investimento em Portugal. Para trabalhadores, empreendedores e pequenos investidores, compreender estas mudanças com antecedência é essencial para uma boa gestão financeira e fiscal.
Neste artigo, analisamos o que pode mudar e como se pode preparar, com especial atenção às estratégias a considerar antes da entrada em vigor das novas regras.
O que muda para os trabalhadores?
As propostas em discussão apontam para ajustamentos relevantes na tributação do rendimento do trabalho, com impacto sobretudo no rendimento líquido mensal.
Entre as principais alterações esperadas destacam‑se:
-Revisão dos escalões de IRS, com possível atualização dos limites para acomodar a inflação;
-Ajustes nas taxas marginais, sobretudo nos escalões intermédios;
-Reforço de benefícios fiscais direcionados, como deduções associadas a despesas com habitação, educação ou eficiência energética;
-Eventuais incentivos à retenção de talento, sobretudo para jovens qualificados e profissionais altamente especializados.
Para os trabalhadores, estas mudanças podem traduzir-se numa ligeira melhoria do rendimento disponível, mas também exigem maior atenção ao planeamento anual de despesas e deduções.
O que muda para empreendedores e pequenas empresas?
No caso dos empreendedores, trabalhadores independentes e pequenas empresas, o Orçamento de Estado de 2026 poderá trazer alterações relevantes ao nível do IRC, da tributação simplificada e das contribuições sociais.
Os principais pontos em análise incluem:
-Revisão do regime simplificado, com possíveis ajustes às percentagens de tributação;
-Incentivos ao reinvestimento de lucros, especialmente em inovação, digitalização e formação;
-Alterações nas taxas de IRC para PME, com foco na competitividade e sustentabilidade;
-Maior controlo e cruzamento de dados fiscais, reforçando a importância do cumprimento e da organização contabilística.
Para os empreendedores, estas alterações reforçam a necessidade de um planeamento financeiro rigoroso e de uma avaliação regular do regime fiscal mais vantajoso.
O impacto nos pequenos investidores
Os pequenos investidores, nomeadamente no mercado imobiliário e financeiro, também poderão sentir os efeitos das alterações fiscais previstas.
Entre os temas mais relevantes estão:
-Tributação das mais‑valias, tanto mobiliárias como imobiliárias;
-Eventuais ajustes nas taxas liberatórias;
-Reavaliação de benefícios fiscais associados a investimentos de médio e longo prazo;
-Possíveis medidas para promover o arrendamento de longa duração e a reabilitação urbana.
Estas mudanças podem influenciar decisões de compra, venda ou manutenção de ativos, tornando ainda mais importante a análise do enquadramento fiscal antes de investir.
Estratégias para otimizar impostos antes das alterações entrarem em vigor
Independentemente do perfil – trabalhador, empreendedor ou investidor – existem algumas estratégias transversais que podem ajudar a minimizar o impacto fiscal antes da entrada em vigor das novas regras:
1. Antecipar decisões financeiras
Avaliar se faz sentido antecipar rendimentos, investimentos ou alienações ainda sob o regime fiscal atual.
2. Rever o regime fiscal aplicável
Confirmar se o regime de tributação em vigor continua a ser o mais vantajoso, especialmente para trabalhadores independentes e empresários em nome individual.
3. Maximizar deduções e benefícios fiscais
Garantir que todas as despesas dedutíveis são corretamente registadas e enquadradas, desde habitação a educação ou investimentos elegíveis.
4. Avaliar investimentos com visão de longo prazo
Mais do que reagir a alterações pontuais, é essencial alinhar decisões de investimento com objetivos de médio e longo prazo, considerando não apenas impostos, mas também risco e liquidez.
5. Procurar aconselhamento especializado
Num contexto fiscal em constante evolução, o apoio de um contabilista ou consultor fiscal pode fazer a diferença entre pagar mais impostos ou otimizar legalmente a carga fiscal.
As alterações fiscais previstas no Orçamento de Estado de 2026 representam mais um passo na adaptação do sistema fiscal à realidade económica atual. Para trabalhadores, empreendedores e pequenos investidores, a informação e o planeamento continuam a ser as melhores ferramentas para tomar decisões informadas.
No Imovirtual, acreditamos que compreender o enquadramento económico e fiscal é essencial para fazer escolhas seguras e sustentáveis – hoje e no futuro.





