{"id":2486,"date":"2021-06-04T00:00:00","date_gmt":"2021-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias2\/2021\/06\/04\/tres-reis-uma-rainha-d-dinis\/"},"modified":"2021-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2021-06-04T00:00:00","slug":"tres-reis-uma-rainha-d-dinis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/lifestyle\/tres-reis-uma-rainha-d-dinis\/","title":{"rendered":"Ambientalista e culto, D. Dinis seria um hippie-chic do s\u00e9culo 21. E esta seria a sua casa"},"content":{"rendered":"<p class=\"css-8qfla4\">\n<p class=\"css-m5h6m0 edperro0\">\n<h1><strong>E se D. Dinis vivesse nos dias de hoje: como seria a sua casa?<\/strong><\/h1>\n<p>Assim que se ouve o nome do rei D. Dinis, a primeira coisa que vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 o Pinhal de Leiria. E pode estar a\u00ed um dos grandes mitos sobre a monarquia portuguesa, que o historiador Jo\u00e3o Ferreira tenta desmistificar: \u201cO Pinhal de Leiria n\u00e3o foi mandado plantar por ele, j\u00e1 era muito antigo e fazia parte do tecido florestal portugu\u00eas.\u201d Ent\u00e3o de onde vem o mito? \u201cA madeira era o combust\u00edvel daquela \u00e9poca, servia para construir, para aquecer, para tudo\u201d, explica o historiador. E \u00e9 no tempo de D. Dinis que o Pinhal de Leiria substitui o pinheiro manso pelo pinheiro bravo, mais resistente, e mais pr\u00f3ximo do que hoje conhecemos (pelo menos, at\u00e9 aos grandes inc\u00eandios que assolaram o pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas). H\u00e1, portanto, \u201cum fundo de verdade nessa hist\u00f3ria\u201d da associa\u00e7\u00e3o entre o Pinhal de Leiria e este rei. <\/p>\n<\/p>\n<h3>Gostaria de ver im\u00f3veis perto do pinhal de Leiria? <strong><a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/comprar\/leiria\/?search%5Bregion_id%5D=10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja aqui<\/a>.<\/strong><\/h3>\n<\/p>\n<p>Ao tentar imaginar como seria a casa de D. Dinis no s\u00e9culo XXI, fal\u00e1mos com o investigador Jo\u00e3o Ferreira, autor de obras como a \u201cHist\u00f3rias Rocambolescas da Hist\u00f3ria de Portugal\u201d, para uma s\u00e9rie de quatro artigos, feita em parceria com o <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Imovirtual<\/strong><\/a>, que inclui, por isso, mais tr\u00eas monarcas: D. Afonso Henriques, D. Jo\u00e3o V e D. Maria II. Este \u00e9, por ordem cronol\u00f3gica, o segundo artigo da s\u00e9rie que, a partir da personalidade e dos reinados de cada um destes reis, permite imaginar casas, roupas e objetos decorativos que estes monarcas gostariam de ter se tivessem o s\u00e9culo XXI \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E se eles t\u00eam \u00e0 sua volta um historial de lendas, a de D. Dinis e do Pinhal de Leiria \u00e9 das mais fortes, porque foi aproveitada pela historiografia do Estado Novo, de Oliveira Salazar, para construir a narrativa de que a madeira que sa\u00eda do Pinhal era pensada para construir as naus e caravelas que os navegadores portugueses haveriam de usar nos Descobrimentos. \u201c\u00c9 uma imagem po\u00e9tica que tem um problema: n\u00e3o foi verdade\u201d, conta Jo\u00e3o Ferreira.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi bem a mesma madeira, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que D. Dinis era um entusiasta dos pinhais, da agricultura, e algu\u00e9m tentou sempre fixar popula\u00e7\u00f5es no interior do pa\u00eds \u2014 uma quest\u00e3o que ainda hoje nos ocupa os dias e as preocupa\u00e7\u00f5es. \u201cHavia uma preocupa\u00e7\u00e3o de valorizar os terrenos\u201d, lembra o historiador, e isso tinha dois motivos: por um lado, a voca\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio rei, e por outro o facto de ter sido o primeiro a n\u00e3o ter de se meter em todas as batalhas para expandir o territ\u00f3rio. Isso ficou para o pai, av\u00f3s, bisav\u00f3s, e at\u00e9 para o trisav\u00f4, o primeiro rei dessa s\u00e9rie de Portugal, D. Afonso Henriques. As guerras do tempo de D. Dinis foram mais para fixar fronteiras. As suas preocupa\u00e7\u00f5es foram sempre outras, da\u00ed o cognome \u201cO Lavrador\u201d.<\/p>\n<p>Agostinho da Silva, um dos fil\u00f3sofos mais relevantes do s\u00e9culo 20 portugu\u00eas, escreveu que D. Dinis \u201c<strong>andava pelo pa\u00eds, de concelho em concelho<\/strong>\u201d, sempre nessa senda de valorizar o territ\u00f3rio \u2014 n\u00e3o \u00e9 estranho que o rei tenha concedido tantos forais, que significavam a cria\u00e7\u00e3o de novos concelhos.<\/p>\n<p>Mas do reinado de D. Dinis n\u00e3o podemos subestimar uma das cria\u00e7\u00f5es mais relevantes da hist\u00f3ria de Portugal: a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo. Isto mostra a import\u00e2ncia que Dinis sempre deu \u00e0 cultura, e foi \u201cum sinal importante de que Portugal queria estar a par com os outros reinos crist\u00e3os da Europa\u201d, como nota Jo\u00e3o Ferreira. Em 1290, quando a Universidade nasceu, ainda se chamava Estudo Geral, e tinha sede em Lisboa, onde hoje fica o Largo do Carmo, tornando-se assim contempor\u00e2nea de universidades de enorme relevo, como a de Oxford, em Inglaterra, praticamente da mesma altura, ou a Sorbonne, em Paris, um pouco mais antiga.<\/p>\n<p>S\u00f3 passados 18 anos \u00e9 que as instala\u00e7\u00f5es foram definitivamente mudadas para Coimbra. Mas a liga\u00e7\u00e3o entre D. Dinis e Coimbra \u00e9 eterna. E \u00e9 por isso que se ele tivesse nascido no s\u00e9culo 20, seria hoje reitor da Universidade, um homem que cruzaria o amor pela agricultura com o amor pelas letras, pelos alunos, como prova de \u201calgu\u00e9m que sempre quis trazer os melhores para Portugal\u201d, nas palavras do historiador Jo\u00e3o Ferreira. Que melhor cidade para ele viver do que a <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/arrendar\/coimbra\/?search%5Bregion_id%5D=6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>cidade dos estudantes<\/strong><\/a>?<\/p>\n<p class=\" block-img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/a50d9a34-7221-4442-95f5-d77a430475c5_Copia-de-Sem-nome-80.png\" alt=\"d. dinis\"><\/p>\n<h4><strong><em>Entre os livros e as plantas: seria assim que D. Dinis repartiria o seu tempo nos dias de hoje. E \u00e9 precisamente essa paix\u00e3o pela natureza, a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s letras e o apre\u00e7o pelo interior do pa\u00eds que levariam &#8216;O Lavrador&#8217; a uma moradia com um jardim bem vistoso, algures na zona de <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/comprar\/coimbra\/?search%5Bdescription%5D=1&amp;search%5Bregion_id%5D=6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coimbra<\/a> <\/em><\/strong><\/h4>\n<\/p>\n<p>O amor de D. Dinis, poeta e trovador, estendia-se \u00e0 l\u00edngua portuguesa e \u00e9 bem conhecido, mesmo entre os mais afastados da hist\u00f3ria. Basta lembrar alguns dos versos de uma das m\u00fasicas que fez mais sucesso no hip-hop portugu\u00eas do in\u00edcio do s\u00e9culo. Em 2006, Sam the Kid escrevia uma ode \u00e0 l\u00edngua portuguesa e aos que cantam em portugu\u00eas, em Poetas de Karaoke. E l\u00e1 aparece a refer\u00eancia ao rei:<\/p>\n<pre>Isto \u00e9 para todos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para MCs \/ <br>Isto \u00e9 para Tugas que nunca escrevem na l\u00edngua raiz \/ <br>Querem ser internacionais mas t\u00e3o c\u00e1 no pa\u00eds \/ <br>E nunca s\u00e3o originais, s\u00e3o Nova Iorque ou Paris \/ <br>Sempre fui D. Dinis, voc\u00eas s\u00e3o de onde der mais jeito \/&nbsp;<br>Onde houver mais fama e proveito \/ <br>E se houver mais grana \u00e9 aceite \/ <br>E se houver uma dama com bom peito \/ <br>Pensam que isso d\u00e1 respeito?<\/pre>\n<p>Foi D. Dinis quem instituiu o portugu\u00eas como l\u00edngua oficial da corte e mandou redigir todos os documentos oficiais em l\u00edngua portuguesa, substituindo o latim. \u00c9 prov\u00e1vel que hoje se mantivesse como um dos puritanos da l\u00edngua, que recusam o novo acordo ortogr\u00e1fico. Mas o certo \u00e9 que seria um \u00e1vido leitor dos novos nomes da literatura portuguesa, brasileira, angolana, mo\u00e7ambicana, cabo-verdiana e de v\u00e1rios outros pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>E o que mais fazia bater o cora\u00e7\u00e3o de D. Dinis? \u201c\u00c9 um rei amigo do ambiente\u201d, ri-se Jo\u00e3o Ferreira. Seria um Ant\u00f3nio Guterres do s\u00e9culo 21, algu\u00e9m que, como o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas e ex-primeiro-ministro de Portugal, tem no discurso das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas uma das suas principais bandeiras. \u201c\u00c9 uma figura muito curiosa\u201d, acrescenta ainda Jo\u00e3o Ferreira, porque combina um lado \u201cmuito culto\u201d com esse lado mais pr\u00f3ximo da terra e da agricultura. Desafi\u00e1mos o historiador a colar um r\u00f3tulo a D. Dinis e a resposta veio pronta. \u201cSeria um hippie-chic culto.\u201d A sua casa teria no jardim e no escrit\u00f3rio-biblioteca os espa\u00e7os mais nobres.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do cognome oficial, D. Dinis \u00e9 conhecido por muitos outros, como o Rei-Agricultor, o Rei-Poeta ou o Rei-Trovador. Ele que foi coroado aos 17 anos, mesmo que se tenha posto a hip\u00f3tese de a m\u00e3e ficar como regente, ele que quase viu os filhos e herdeiros quase a entrar em guerra, foi sobretudo um rei da paz, um diplomata com habilidade para gerir conflitos. E \u00e9 essa paz e sil\u00eancio que transparece na casa de 2021 do rei, com cadeir\u00f5es de madeira virados para o sol, onde o professor-reitor pudesse passar longas tardes de leitura, com materiais reaproveitados porque o planeta n\u00e3o pode permitir mais estragos, e com plantas, as suas adoradas plantas.<\/p>\n<p>Um acidente nos anos 1930 abriu o t\u00famulo de D. Dinis, em Odivelas, e fez descobrir que o rei foi um homem relativamente baixo (cerca de 1,65 metros, o que nem \u00e9 t\u00e3o pouco para um portugu\u00eas m\u00e9dio da \u00e9poca), ruivo e de complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica bem interessante. Ali\u00e1s, para quem morreu aos 63 anos, \u00e9 impressionante ter conseguido andar a cavalo at\u00e9 quase ao fim da vida. O Dinis de hoje at\u00e9 podia passar tardes a ler, a escrever, a compor cantigas, mas o aspeto f\u00edsico n\u00e3o seria deixado ao acaso.<\/p>\n<p class=\" block-img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/28cf696f-b23d-4449-8651-954ee14e3b5f_Copia-de-Sem-nome-81.png\" alt=\"d. dinis\"><\/p>\n<h4><strong><em>No s\u00e9culo XXI, D. Dinis seria um &#8216;hippie-chic culto&#8217; que apoia as causas ambientais e recusa o novo acordo ortogr\u00e1fico. Do alto dos seus singelos 1,65 metros de altura, n\u00e3o seria rei, mas estaria ligado a um cargo de influ\u00eancia, o de reitor da Universidade mais antiga do pa\u00eds. A biblioteca seria o local para l\u00ear, escrever e compor m\u00fasicas, n\u00e3o uma das suas muitas alcunhas &#8216;Rei-trovador&#8217;<\/em><\/strong><\/h4>\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ler, a secret\u00e1ria de Dinis tem espa\u00e7o para escrever, espalhar e rascunhar. O rei deixou uma vasta obra, da qual fazem parte mais de 100 cantigas l\u00edricas e sat\u00edricas em galego-portugu\u00eas (a varia\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na origem do portugu\u00eas de hoje), num tempo em que o amor, o esc\u00e1rnio e o maldizer eram presen\u00e7a obrigat\u00f3ria na literatura. A mais conhecida fala, claro, de flores. E \u00e9 um desafio curioso entrar na linguagem da \u00e9poca.<\/p>\n<pre>Ai flores, ai flores do verde pino \/<br>Se sabedes novas do meu amigo? \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>Ai flores, ai flores do verde ramo \/<br>Se sabedes novas do meu amado \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>Se sabedes novas do meu amigo \/<br>Aquel que mentiu do que p\u00f4s conmigo? \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>Se sabedes novas do meu amado \/<br>Aquel que mentiu do que mi h\u00e1 jurado? \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>V\u00f3s me preguntades polo voss\u2019amigo \/<br>E eu bem vos digo que \u00e9 san\u2019e vivo \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>V\u00f3s me preguntades polo voss\u2019amado \/<br>E eu bem vos digo que \u00e9 viv\u2019e sano \/<br>Ai Deus, e u \u00e9? \/<br>E eu bem vos digo que \u00e9 san\u2019e vivo \/<br>E ser\u00e1 vosco ant\u2019p prazo sa\u00eddo \/<br>Ai Deus, e u \u00e9?<\/pre>\n<\/p>\n<h4><strong>Da mesma s\u00e9rie<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Um pal\u00e1cio feito moradia e uma garagem feita gin\u00e1sio: assim seria a casa de <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/lifestyle\/tres-reis-uma-rainha-episodio-um\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>D. Afonso Henriques<\/strong><\/a>, primeiro rei de Portugal, em 2021<\/li>\n<li>Esta seria a casa de <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/lifestyle\/tres-reis-uma-rainha-episodio-dois\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>D. Jo\u00e3o V<\/strong><\/a>, o rei que foi \u201cmenino de ouro\u201d e mulherengo, se ele vivesse em 2021<\/li>\n<li>Como seria em 2021 a casa da menina brasileira que foi <a href=\"https:\/\/www.imovirtual.com\/noticias\/lifestyle\/tres-reis-uma-rainha-episodio-tres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>rainha de Portugal<\/strong><\/a>?<\/li>\n<\/ul>\n<\/p>\n<div class=\"css-h5fkc8\"><strong>Ultima actualiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> 01 outubro 2021<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se D. Dinis vivesse nos dias de hoje: como seria a sua casa? Assim que se ouve o nome do rei D. Dinis, a primeira coisa que vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 o Pinhal de Leiria. 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